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Há pessoas como o sal: a sua presença, palavra ou alento colorem-nos a vida. Não apenas a de tal ou qual, mas a de uma comunidade.
A pitada certa na hora certa, anima um exército a palmilhar uma jornada inteira, mesmo se à intempérie – eis o dom de certos homens e mulheres: o que digam faz-nos voar!
É o caso da do escritor José Manuel Cruz que, a este dom, ajunta um outro: sabe que assim é, sabe que a seu modo é no Carmo e em Braga um áugure e, sabendo-o, não se retira, antes nos oferece a sua palavra. Como uma fonte.
Aceitemo-la, não porque seja fácil, mas exigente, clara e definidora do nosso andar; não apenas do seu.
Ao J. M. Cruz o Santo Fradinho do Carmo e dos Pobres deve-lhe três títulos: A Perdiz e o Sacrifício (2021); Da Milagrética de Frei João D'Ascensão (2023); Ascender por D'Ascensão (2025). E agora outro mais: Saliências.
Com o Saliências fecham-se nove anos de estudo e publicações sobre a vida e a permanência de Frei João d'Ascensão na memória do Carmo e da cidade de Braga; mas não só.
Mais que tudo, este livro propõe-nos a todos um exercício de escuta, o que vem bem com os tempos sinodais actuais. A voz que ali se ouve é a do seu autor, psicólogo de formação e católico por tradição e opção. Certa vez em que falávamos sobre o livro a escrever – este! – disse-me: «tem a Igreja Católica – nos seus presbíteros e não só! – de saber ouvir antes de falar, e de saber dialogar com aqueles que fazem da Razão o único terreiro e ágora de onde se possa falar, desde que não se fale de Deus, porque Deus não seja do científico, não seja calculável, não seja matematicalizável».
Ora se temos de ouvir, nós, presbíteros e frades, e não só, ouçamos. E como com todo o gosto eu o oiço!
Frei João Costa